julho 12, 2009

A Baía de Sesimbra e a Pedra Alta




Fotos e poema: Carminda H. Proença



“P E D R A    A L T A” (1)


Na praia
sentada na Pedra Alta
perguntei ao meu corpo:

"o que é que em mim é Terra?"
...Senti meu peso
na dureza da rocha fria
e minha própria solidez
ao tocá-la...

"O que é que em mim é Água?"
O barulho exaltado
duma emoção ondulada
a quietude tranquila
dum silencioso marulhar,
no interior de mim senti...

"O que é que em mim é Ar?"
Por cima da minha cabeça
vi meu pensamento partir,
turbilhar...
Senti na brisa leve e fresca
longínquas mensagens
acariciando minha pele
em íntimo diálogo...

Finalmente perguntei
ao meu corpo
(ansiosa por senti-lo):

"O que é que em mim é Fogo?"
Um suave incêndio
de pronto flamejou
e ao calor do sol
numa tocha ardente
toda me tornei...

"De onde vem tanta força?
Tanto poder?" Perguntei.

Por trás das pálpebras cerradas
tudo, de repente, se ilumina!
E do centro de mim
-cadinho alquímico-
é meu coração
quem responde...
"Da substância prima
do solvente Universal
do Caos que tudo cria...
...o Amor..."

(1) Poema recebido em 21 de Julho de 1993 sentada numa rocha da Praia de Sesimbra em dia de Sol quente, rocha que mais tarde soube ser chamada de “Pedra Alta” por nunca ser coberta de areia e onde se diz ter aparecido uma estátua do Senhor Jesus das Chagas, atual padroeiro de Sesimbra.


Eis a lenda (do blog  http://btrp.blogs.sapo.pt/2614.html):

"Senhor Das Chagas:

No séc. XVI houve uma revolta contra a igreja católica. Nessa altura a rainha mandou encaixotar todas as imagens que estavam nas igrejas e deitá-las ao mar.
Arrastados pelas correntes os caixotes foram levados mar fora e foram ter aos sítios mais diversos. Um deles veio ter à praia de Sesimbra.
Estavam alguns pescadores à beira mar quando viram aquele caixote a boiar junto à pedra que fica do lado nascente da fortaleza.
Trouxeram-no para a praia, abriram-no e viram uma imagem de Jesus Cristo e Ficaram muito admirados sem saberem o que fazer com ela.
Pensaram um pouco e trouxeram-no para o terreiro da Misericórdia, onde hoje em dia é o jardim, mas não tinham sítio onde o colocar. A imagem não ia ficar no chão, nem à chuva nem ao vento, por isso resolveram levantar uma tenda e fingir que aquilo era uma pequena capela, pois um dia far-se-ia uma a sério.
Todos repararam que faltava um braço à imagem, mas também sabiam que no caixote não estava. E a imagem continuou assim na pequena capela improvisada onde toda a gente ia venerá-la. Ora era costume, e ainda hoje há quem o faça, ir à praia buscar lenha para levarem para a lareira. Naquele dia, uma velhinha apanhava uns pequenos troncos na praia. Ao chegar a casa colocou os troncos no braseiro e sentou-se ali ao pé para se aquecer.
Começou a reparar que toda a madeira ardia menos aquele tronco mais grosso. A ele nem o lume chegava perto.
Intrigada pegou nele e mirou-o com atenção. Viu, então, que aquele pedaço de madeira tinha a forma de um braço.
Correu até à capela, mostrou-o ao padre e concluíram que aquele tronco especial era realmente o braço da imagem do Senhor Jesus.
Todos gritaram “milagre”, prometeram fazer todos os anos uma festa em honra do Senhor e mandaram edificar a capela da Misericórdia onde fizeram um altar para colocar a imagem do Senhor Jesus das Chagas
Todos os anos no dia 4 de Maio faz-se uma procissão que atravessa as ruas da vila de Sesimbra e que no largo da Marinha abençoa o mar para que este nunca falte com o peixe que era, até há poucos ano, o principal sustento das gentes de Sesimbra.»

A b e r t u r a

POEMA escrito nos AÇORES

O paraíso? É aqui.
O fogo? Quase se vê...
Ouve-se na caldeira fervente.
É fim e é princípio
de toda a vida,
o magma incandescente.

Força telúrica, temível,
contida nesta beleza
que a cobre.
Sabe-se que existe;
mas quase se esquece
e mal se sente...

furnas, açores.
agosto de 89.

abril 04, 2009

DESCOBRIR - ABRIR - ABRIL

Meu corpo mar país
sofrendo
como antes
dores felizes
dum parto transmutação.

Abril, meu Abril,
sangrado de rosas e cravos,
tão novo e só...

...só de dentro para fora
Abril aberto:
além do mundo descobrindo...
descoberto!

Meu regresso.
Meu vibrante Lá.
Canção caravela
vela livre
que em Abril abriu
no coração
novo Universo.

lisboa.
30 de Abril de 1991.

3º Prémio no Concurso de Literatura e Artes Plásticas sob o tema "Os Descobrimentos Portugueses" promovido pelo C.C. Fonte Nova, com o apoio da Comissão Nacional dos Descobrimentos Portugueses. Lisboa, 1991.

janeiro 28, 2009

janeiro 14, 2009

LUSOFONIA e IDENTIDADE

por
Carminda H. Proença (Janeiro 2009). Publicado na Revista NOVA ÁGUIA, nº3 (1º semestre de 2009)

Para José Marinho e Agostinho da Silva há uma saída possível para a “era do vazio” em que vivemos (1). Uma etapa fundamental desse caminho é claramente apontada no Manifesto do Movimento Internacional Lusófono, nº 9, onde podemos ler:
“9 - …. Embora visemos em última instância transformar a sociedade, a nação e o mundo, sabemos que isso só é possível a partir da nossa própria transformação individual e do seu alastramento contagiante a outras transformações individuais. A este nível, de ninguém dependemos senão de nós mesmos e portanto tudo é desde já possível.”
Pois é. Na actual urgência de transcenção a questão que se coloca aos portugueses é a de busca da sua identidade essencial. Creio mesmo que

janeiro 13, 2009

Dalila Pereira da Costa escreveu sobre o livro "Aventuras do Ego de Todos Nós .... ":

"............... E me alegro de vê-la continuando esse trabalho (de todos nós), o mais difícil: a busca do nosso vero eu, o que nos dará , ou permitirá, o encontro de nosso anjo.
Gostei que tivesse escolhido para esta transferência simbólica, uma casa: que agora nenhum significado possui para nossos contemporâneos. E que tivesse valorizado com suas "neblinas", a cave. Onde reside a "Mãe Velha", sabedoria de origem, e suprema. Ajudando o ser vero a sair de todos os sucessivos, frustrantes e ilusórios caminhos por si criados. Até à libertação anceada na luz, na identidade encontrada: "conhece-te a ti próprio" - lema supremo.
Terra e céu foram creados no primeiro dia. Assim também por nós têm de ser conhecidos.
.........................................
Dalila Pereira da Costa
Porto, 7 de Dezembro de 2008 "

Obras de Dalila Pereira da Costa:
A Força do Mundo (1972)
Espirituais Portugueses Fundação Lusíada
Encontro na Noite , Lello e Irmão 1973
Duas epopeias das Américas (1974)
Introdução à Saudade (1976)
A Nova Atlântida, Porto, Lello e Irmão, 1977
A Nau e o Graal (1978)
O Esoterismo de Fernando Pessoa, Porto, Lello e Irmão, 1978
Orpheu, Portugal e o Homem do Futuro, Porto, 1978,
A cidade e o rio (1982 )
Elegias da terra-mãe (1983)
Da Serpente à Imaculada (1984)
Místicos Portugueses do século XVI (Lello & Irmão, Porto, 1986)
Gil Vicente e a sua Época, Guimarães Editores, 1989
Os sonhos: porta de conhecimento (1991)
Hora de Prima, Lisboa, Fundação Lusíada, 1993
O novo argonauta (E a Ilha Firme) (1996)
Entre desengano e esperança: ensaios portugueses (1996)
D. Sebastião, El-Rei ungido: Rei eleito (1996)
Os instantes nas estações da vida (1999)
Dos mundos contíguos (1999)
Mensagens do Anjo da Aurora, Hugin Editores
Entre Desengano e Esperança, Lello Editores
As Margens Sacralizadas do Douro através dos Vários Cultos, Lello Editores, Porto, 2006

Sobre esta autora:
"Dalila Pereira da Costa e as Raízes Matriciais da Pátria", Lisboa, Fundação Lusíada, 1998