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janeiro 09, 2018

A Árvore da Vida, por Terrence Malick


 A Árvore da Vida por Terrence Malick, não é um filme fácil de ver, não é um filme fácil de entender. 
Tal como o processo de ser..
É um filme que nos reflete como um espelho, um espelho revelador. Duro, ao confrontar-nos magistralmente com os arquétipos do nosso inconsciente coletivo, com a (para nós aparente) conflitualidade das forças mais básicas que nos habitam, desde as forças materializadas da natureza, até à interior ânsia (nem sempre consciente) da alma, buscando a graça da guia para o encontro da completude na luz do espírito. Essa luz que sempre brilha nas belíssimas imagens acompanhadas pelas cores alquimicas do vermelho e do preto.
Enquanto o vi, sempre me veio ao pensamento que poderia ter como subtítulo A Alquimia da Vida. É de fato essa Alquimia Interior, essa viagem na busca de quem somos, que pela primeira vez encontrei refletida de forma tão bela no fluir de um filme: deste extraordinário filme. 
Remeteu-me para este livro que escrevi, uma alegoria da busca de ser no "Reino da Consciolandia", ao fazer-me lembrar o "Sr Al Quimista da 2ª cave".... bem como todos os outros habitantes dos "Edifícios de Ser" onde vivem as famílias dos "Todos Nós"...

Aconselho vivamente este filme, bem como a consulta do único e excelente comentário sobre ele que vale a pena ler (todos os outros que vi revelam uma total incapacidade de compreensão desta obra; quase diria desta "opus"). Aqui deixo ao autor ou autora desse blog Pensar a Realidade, o meu apreço, admiração e agradecimento tanto pelo seu texto que tão bem nos conduz a uma mais vasta e profunda compreensão do filme, como pela generosidade da sua partilha.

dezembro 21, 2014

Uma oração de Fernando Pessoa

Eis uma oração escrita por Pessoa, que foi conhecida durante décadas através de uma versão incompleta intitulada «Prece», publicada por por Jacinto Prado Coelho e Georg Rudolf Lind (Páginas íntimas e de auto-interpretação, Lisboa, Ática, 1966, p. 61). Trata-se de um manuscrito sem título, possivelmente de 1913, por mim reeditado na integra e publicado, juntamente com outros escritos pessoanos, na revista Tintas, consultável clicando aqui.
Fabrizio Boscaglia

«Senhor, que és o ceu e a terra, e que és a vida e a morte! O sol és tu e a lua és tu e o vento és tu! Tu és os nossos corpos e as nossas almas e o n[osso] amôr és tu tambem. Onde nada está tu habitas e onde tudo está é o teu templo.
Dá-me vida para te servir e alma para te amar. Dá-me vista para te ver sempre no ceu e na terra, ouvidos para te ouvir no vento e no mar, e mãos para trabalhar em teu nome.

Torna-me puro como a agua e alto como o ceu. Que não haja lama nas estradas dos meus pensamentos nem folhas mortas nas lagôas dos meus propositos. Faze com que eu saiba amar os outros como irmãos e servir-te como a um pae.

Bemdito seja o teu nome de Ceu e de Terra, e de Corpo e Alma, e de Vida e Morte!

Louvam-te: a cara e as mãos te louvam.

Minha vida seja digna da tua presença. Meu corpo seja digno da Terra tua carne. Minha alma possa aparecer deante de ti como um filho que volta ao lar.

Torna-me grande como o Sol, para que eu te possa adorar em mim; e torna-me puro como a lua, para que eu te possa rezar em mim; e torna-me claro como o dia para que eu te possa vêr sempre em mim e rezar-te e adorar-te.

Senhor, protege-me e ampara-me. Dá-me que eu me sinta teu □

Senhor, livra-me de mim. Unge-me da Tua divina □

Que o meu pomar dê frutos saborosos a Ti e a minha vide dê vinho □

Quando me movo, és tu que te moves; quando fallo, és tu que me és fallando. Quando dou um passo, avanças tu. Se paro, estacas de mim.»

Fernando Pessoa
Tirado do blog http://luis-eg.blogspot.pt/

março 30, 2011

"Sheikh Sarrazi Chega do Deserto" - Rumi, in "A Alma de Rumi" (no original:
THE SOUL OF RUMI, tr. Coleman Barks - New York: HarperCollins, 2001 - pp.
247-48.)

Há alimentos como
o pão que alimenta uma parte
da nossa vida e alimentos como a luz para a outra.
Há muitas regras sobre a frugalidade
com os primeiros,
mas apenas uma regra sobre os segundos:
nunca te dês por satisfeito.
Come e bebe da substância da alma,
tal como faz o pavio com o azeite que puxa para cima:
Dá luz a toda a comitiva.

(Tradução de Rui G. Souto)