... sobre Empatia

P E D R A A L T A

(Nome dado a uma pequena rocha à beira mar na Praia da Califórnia, Sesimbra)

Na praia
sentada na Pedra Alta
perguntei ao meu corpo:

"O que é que em mim é Terra?"
...Senti meu peso
na dureza da rocha fria
e minha própria solidez
ao tocá-la...

"O que é que em mim é Água?"
O barulho exaltado
duma emoção ondulada
a quietude tranquila
dum silencioso marulhar,
no interior de mim senti...

"O que é que em mim é Ar?"
Por cima da minha cabeça
vi meu pensamento partir,
turbilhar...
Senti na brisa leve e fresca
longínquas mensagens
acariciando minha pele
em íntimo diálogo...

Finalmente perguntei
ao meu corpo
(ansiosa por senti-lo):

"O que é que em mim é Fogo?"
Um suave incêndio
de pronto flamejou
e ao calor do sol
numa tocha ardente
toda me tornei...


"De onde vem tanta força?
Tanto poder?" Perguntei.

Por trás das pálpebras cerradas
tudo, de repente, se ilumina!
E do centro de mim
-cadinho alquímico-
é meu coração
quem responde...

"Da substância prima
do solvente Universal
do Caos que tudo cria...
...o Amor..."

Carminda Proença
Sesimbra,21 de julho de 1993

A b e r t u r a

POEMA escrito nos AÇORES

O paraíso? É aqui.
O fogo? Quase se vê...
Ouve-se na caldeira fervente.
É fim e é princípio
de toda a vida,
o magma incandescente.

Força telúrica, temível,
contida nesta beleza
que a cobre.
Sabe-se que existe;
mas quase se esquece
e mal se sente...

furnas, açores.
agosto de 89.

Livraria Café Nova Águia abre no Second Life

Ouça a palestra da Autora/Avatar CarmindaProenca Magic na inauguração:

SER AVATAR no Second Life

O Avatar ou personagem virtual animado é um elemento MEDIADOR que permite agir e socializar em ambientes virtuais sem a presença física real. No Second Life a criação do Avatar está associada à possibilidade das seguintes escolhas:

· Construção e identificação com uma imagem corporal virtual que pode ser muito diferente da real por exemplo em aspecto, idade e mesmo sexo.

· Comportamentos que podem ser idênticos ou diferentes dos que o seu criador mais explícita e frequentemente apresenta na vida real.

· Revelação total ou parcial da identidade, com possibilidade de viajar e interagir incógnito em terras virtuais.

Sejam quais forem as escolhas que se façam os comportamentos e interacções nas vidas virtuais serão sempre reais na medida em que são escolhidos, executados ou consentidos por quem está a comandar o Avatar.

No Seond Life, usando o Avatar como mediador, a pessoa pode experimentar uma enorme variedade de situações mais ou menos idênticas às que vive ou já viveu na realidade ou outras que lhe são mesmo desconhecidas e/ou impossíveis na vida real, como o voar ou o teletransporte, por ex. Esta abrangência de possibilidades é geralmente considerada pelos habitantes deste mundo virtual como uma das suas características mais aliciantes, pelo sentimento de liberdade que proporciona. Como sempre, liberdade comporta oportunidades e riscos, comporta aprendizagem do respeito pela própria dignidade e pela dos outros.

Falemos por ora da oportunidade que a experiencia de vida no SL pode representar em termos de um desenvolvimento pessoal que pode, desejavelmente, ser transposto para a própria vida real.

Deste ponto de vista, a vida virtual como Avatar pode ter enorme interesse enquanto possibilita:

· Auto observação e auto conhecimento: como tendo a comportar-me, ou não comportar-me, quando me sinto em liberdade.

· Trabalho interno com as próprias emoções - a que as características da plataforma SL fazem largamente apelo - e que, aliás, pela sua natureza psico fisiológica facilmente implicam sensações físicas reais mesmo quando virtualmente activadas. Imaginar é também viver.

· Experiência e observação das reacções dos outros às próprias acções e das próprias reacções às acções dos outros.

É assim que aprendemos, desde crianças e ao longo da vida. E o SL tem também uma óbvia vertente lúdica que pode ajudar à recuperação da espontaneidade e alegria da nossa criança interior, por vezes demasiado esquecida… Porventura também ao encarar das suas angústias e medos, tornando-os mais conscientes, condição primeira da sua resolução.

Do ponto de vista psicológico, a nossa inevitável identificação com o Avatar, ou os Avatares que criamos como nossos heterónimos e nos espelham no ecran do pc, é um verdadeiro desafio para conseguirmos um proveitoso equilíbrio entre um excesso de identificação que conduz à dependência compulsiva e um distanciamento que reduza a experiência virtual a um mero jogo de imaginação e fantasia. Tornar claro aos outros qual o nosso posicionamento nesse equilíbrio, por exemplo mencionado no “Perfil”do Avatar o que lhe interessa ou não ser e fazer, evitará equívocos nas expectativas recíprocas que acabam geralmente por causar desilusão e sofrimento.

A vida virtual no Second Life poderá, assim vivida, constituir um excelente treino para desenvolver o diálogo interno entre o nosso Ego em acção e o nosso Eu Interior ou Si Mesmo que se observa agindo; esse diálogo interno que Carl Jung http://pt.wikipedia.org/wiki/Carl_Gustav_Jung considerou ser próprio de um ser humano adulto e psiquicamente saudável cria em nós um verdadeiro Eixo de Consciência capaz de escolher o que queremos ser e não ser. Podemos agora acrescentar, tanto na vida real como na virtual.

(*) CarmindaProenca Magic, Avatar de Carminda H. Proença, promove Conversas Vadias, in world, na Livraria Café Nova Águia, Utopia Portugal, SL sendo também promotora das sedes virtuais do MIL, Associação Agostinho da Silva e casa deste notável filósofo e pensador português, na Utopia Portugal ao lado da Livraria, bem perto do Padrão dos Descobrimentos e em frente da sede virtual da revista real Sábado http://arci.pt/site/

Vida Real, Vida Virtual

Quando estás em frente do ecran do pc entras num estado perceptivo em que as sensações físicas estão reduzidas pois estás sentado e só as tuas mãos se movem no teclado. E toda a tua atenção está centrada do que vês no monitor.

Se entras num mundo virtual como o Second Life, criado por Philip Rosedale - Avatar Philip Linden - e desenvolvido pela Linden Lab, és transportado para esse ambiente diferente e o contacto visual que estabeleces com ele aliado à redução sensorial no teu corpo real, favorece um estado de consciência muito semelhante ao do sonho…

Quando vais ao cinema ver um filme que te interessa com actores de quem gostas, também facilmente te transportas para dentro do ecran e te identificas emocionalmente com a acção e os personagens, geralmente com um deles preferencialmente ou com cada um dos que de algum modo reconheces como representando diferentes aspectos de ti mesmo… Mas não foste tu a escrever o argumento nem és tu o realizador da acção.

Pelo contrário, num ambiente virtualmente co criado como é o Second Life onde diariamente 250.000 pessoas de todo o mundo co existem e se encontram, tu crias-te como actor, escolhes a tua imagem e podes mudá-la em qualquer momento com uns simples clics, escolhes o argumento – onde vai, como age a figura mediadora, teu Avatar – enfim, és tu o realizador do teu filme de vida virtual ao mesmo tempo que socializas e co-realizas ambientes e acção com outros Avatares.

A margem de liberdade é muito grande nos mundos virtuais co criados pelos utilizadores.

Há por isso uma grande diferença entre os mundos virtuais dos jogos pré formatados onde existem regras do jogo muito detalhadas e os mundos virtuais co criados onde apenas algumas regras básicas de comportamento asseguram a coexistência não agressiva ou ofensiva, como é o caso no Second Life.

Do ponto de vista tecnológico que possibilidades inovadoras de vivências alternativas nos abre esta plataforma de acção e socialização ?

1. ESCOLHER A PRÓPRIA IMAGEM

A primeira pergunta que se nos coloca ao clicarmos em “Entrar” no site www.secondlife.com é: Como escolho apresentar-me? O que quero eu revelar de mim aos outros? Como reagirão os outros à minha aparência e opções de “perfil”? Uma vez dentro do mundo virtual a simples modificação das formas e cores do corpo, do vestuário e da maquillagem tem um carácter lúdico que nos transporta para as brincadeiras exploratórias infantis tão fundamentais na construção da nossa auto imagem.

É mesmo possível se nos apetecer, criar mais do que um avatar escolhendo diferentes maneiras de nos representarmos e apresentarmos com cada um deles e mesmo de agirmos e relaionarmos. Não nos iludamos contudo pois seremos sempre nós em todos eles e por muito aparentemente diferentes que sejam revelarão sempre aspectos reais de nós, aos outros e, seguramente também, a nós próprios…


2. CONSTRUIR

Quando se pergunta aos habitantes do SL o que mais os fascina nesta forma de vida virtual as respostas mais frequentes têm a ver com a socialização e os relacionamentos. No entanto, para muitos é também a possibilidade de construção de objectos e ambientes que a rede - grelha tipo lego - desta plataforma, oferece de uma maneira extremamente acessível e genialmente concebida.



3. IMAGINAR E CRIAR


A liberdade de imaginar e recriar com fantasia é sem dúvida um dos grandes aliciantes do SL, embora estranhamente não muito presente, pois a generalidade das construções tendem a tentar reproduzir tanto quanto possível o mundo conhecido. Excesso de condicionamento criativo?! É pena…


4. VOAR/TELEPORTAR NO ESPAÇO/TEMPO:

É seguramente uma das mais importantes facilidades no SL. Escolhemos um destino e com um clic do rato vemo-nos transportados instantaneamente para o local escolhido ou para o qual fomos convidados por outros ou simplesmente voamos pelo ESPAÇO. Esta facilidade que preencheu os nosso sonhos de criança e não só, torna tudo muito rápido e a nossa noção da relação espaço/tempo começa a alterar-se.

Isto contribui enormemente para a impressão geral de que o TEMPO é muito mais acelerado do que na vida real, mesmo no que respeita à forma como evoluem os relacionamentos e os sentimentos. De facto a velocidade de processamento interno das emoções tende a acompanhar a rapidez, facilidade e pouco esforço com que uma enorme variedade de actividades e relacionamentos podem acontecer e desenvolver-se! É habitual “ouvir” os habitantes referirem a sensação de que um dia no SL equivale a 1 mês ou mais na RL.


5. SCRIPT BALLS

Alguém comparou a ideia de povoar o SL com bolinhas geradoras de posições acompanhadas ou não de movimentos mais ou menos complexos, à invenção da roda. Certamente pelo impacto que tem na comunicação pois com enorme facilidade simulam as atitudes habituais no convívio mais ou menos íntimo da RL; em especial as que produzem movimentos em câmara lenta e coordenados entre avatares.

Quando clicamos numa bola para desencadear uma determinada acção do Avatar auto induzimos a emoção ou sentimento associado ao movimento, por exemplo de um abraço; a harmoniosa perfeição do movimento lento gera uma impressão de ausência de peso e esforço, como se agíssemos sem corpo ou “fora do corpo” num estado próximo do sonho, num estado modificado de consciência.

Pode-se assim voar, viajar, saltar de para quedas, surfar, ir de foguetão até Marte, dançar, meditar, competir ou lutar, fazer amor, em suma brincar, comunicar, enfrentar desafios, satisfazer a curiosidade e a imaginação, correr riscos e perigos, tudo com uma impressão de invulnerabilidade tipo “desenho animado”, fazendo experiências que nunca ousaríamos na vida real.

Mas atenção: não podemos nunca esquecer que por trás dos Avatares estão pessoas reais, emocionalmente implicadas na acção e na comunicação; o respeito pela sua dignidade e sentimentos deve ser o mesmo que queremos que tenham em relação a nós, tal como na dita vida real (RL).

Todas estas circunstâncias específicas que o SL oferece colocam os seus habitantes numa situação de grande liberdade de escolha e possibilidade de diversidade de experiências quanto à própria imagem, quanto aos ambientes e especialmente quanto aos relacionamentos, que pode passar, se assim o desejarem por uma espécie de “role play” ou desempenho de diferentes papéis.

O grande desafio é o de prestarmos atenção aos efeitos que o nosso desempenho vai produzindo em nós mesmos e nos outros. Se o fizermos certamente descobriremos muita coisa nova sobre nós próprios, podendo aumentar significativamente o nosso autoconhecimento, a construção da nossa identidade e a inerente capacidade de fazermos escolhas mais conscientes e bem sucedidas: “Quem sou no mais íntimo de mim mesmo? Como tendo a agir? Quais são os meus padrões mais habituais de comportamento? Que escolhas tenho tendência a fazer? A que dou maior valor? O que não quero? Que consequências podem ter as minhas acções e comportamentos? Quem quero realmente ser? Como prefiro agir? Que comportamentos escolho evitar? Que talentos e qualidades gosto de explorar? ”

Encarado nesta perspectiva, acompanhado deste dialogo interno entre o ego que age e o eu que o observa, o SL torna-se num meio privilegiado de vida alternativa, de experiência de acção, socialização e relacionamento, em suma, de aprendizagem de vida. Como quando éramos crianças e brincávamos livremente ensaiando cenas do dia a dia e assim percebendo a causa efeito dos nossos actos, das nossas escolhas, em nós mesmos e nos outros…

O que mais procuramos na vida? Ser felizes. Alegres e felizes. Realizados. Amados. Tal como a criança que fisicamente fomos e a criança interior que sempre continuamos a ser no mais intimo de nós mesmos e que tem no SL uma oportunidade única de nos lembrar que ainda existe, com toda a força de vida que sempre contém em potência e que porventura ainda não aproveitámos…

O valor de uma “escola de vida” de faz de conta para adultos como é o SL torna-se verdadeiramente extraordinário se o encararmos desta maneira.

Estamos a agir e a vermo-nos a agir; podemos aproveitar o estado de consciência muito aberto e receptivo em que nos encontramos para nos observarmos a nós próprios em acção. Para aprendermos com a experiência e escolhermos então, com consciência do que queremos ser, como agir, o que realizar, como nos apresentarmos, com quem e como nos relacionarmos, como socializarmos e como amarmos, para nos sentirmos mais felizes, mais realizados, mais úteis.

A margem de escolha é enorme. Assim também é a margem de aprendizagem. Assim também é a margem de partilha. Uma coisa é certa porém: só no total respeito por nós próprios e pelos outros poderemos evoluir neste sentido. Quer na segunda vida quer em outra qualquer…

Respeito que implica que toda a comunicação e, eventualmente, a evolução dos contactos ocasionais para relacionamentos mais próximos, se faça progressivamente e à medida que o conhecimento recíproco se desenvolver e o permitir com alguma segurança de verdade e sinceridade recíproca.

Não é muito importante dar aqui a conhecer em detalhe a vida pessoal mas alguns elementos são importantes caso nos interesse aprofundar a relação, e eles dependem do tipo de relação que procuramos, se mais do âmbito material (negócios, comércio), simplesmente social ou do âmbito afectivo. Não pode haver regras gerais e será sempre o discernimento e maturidade de cada um a guiar-nos. Iremos forçosamente aprendendo com a experiência, como sempre na vida, real ou virtual e sobretudo aqui construiremos a qualidade da vida com a qualidade das escolhas que fizermos, recebendo o que semearmos.

Inevitavelmente, diria, transportaremos para a nossa vida real as aprendizagens que esta genial plataforma nos proporciona. Desejavelmente para nos tornarmos melhores e mais felizes seres humanos.

Carminda H. Proença

"Breve estória de um ser num universo" - extraído do livro "Aventuras de Ego do Todos Nós..."


"O conto que lhes vou contar chama-se Breve estória de um ser num universo.

D. Transpessoal e Sr. Al Quimista acenam com a cabeça. Eles lembram-se de ter ouvido falar neste conto.

Mãe Velha, curadora de almas e clarividente, começa assim:

- Dedico sempre esta "estória" a todas as crianças que eu tive o privilégio de amar pois contando-a mantenho viva em mim a criança que também sou.

- Lembram-se das palavras do GÉNESIS: Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus. Criou-o homem e mulher (Gn 1.26-27) ? Pois ouçam com atenção e irão perceber porque começo a história referindo estas palavras.

Breve estória de um ser num universo

Era uma vez uma Pessoa que nasceu num universo de energias que era como um grande e invisível coração a pulsar.

Ela só começou a existir porque duas energias pulsantes se partilharam, vibrando como uma só.

Foi assim que ela nasceu tornando-se uma porção materializada numa espaço temporalidade.

O ritmo pulsante desse um afectuoso coração abriu-lhe o caminho para esta vida: nasceu saindo de um ventre por um "buraco negro", ou Alçapão, que é como se dão os novos nascimentos…

E começou ela mesmo a pulsar, respirando: ora expandindo, ora contraindo…

A pouco e pouco foi-se habituando ao bater ritmado do seu próprio coração, ao ritmo dos dias e das noites, à alternância da luz e do escuro e, ao balanço desses ritmos foi crescendo, entendendo, aprendendo, comunicando, evoluindo... vivendo!

Outras pessoas – que já se tinham esquecido da sua origem, de que viver é pulsar – começaram a dizer-lhe: "cuidado, olha que estás dentro de uma "caixinha"; se aceleras muito a tua vibração, podes rebentá-la e é muito perigoso, porque fora das "caixinhas" ninguém pode mais existir!"

As "caixinhas" não eram senão projecções da mente daqueles seres que, há muito, tinham escolhido deixar de pulsar com medo de rebentar; de tal modo que já tinham perdido completamente qualquer memória da sua origem, que fora só vibração sem forma e se dedicavam totalmente a construir cada vez mais "caixinhas" todas feitas de "deve ser".

Mas a nossa Pessoa ainda inexperiente, não o sabia e foi aceitando como bons todos esses medos mascarados de bom senso que lhe eram transmitidos por pessoas já mais quadradas, cúbicas e escuras do que redondas e irradiantes.

Eram em grande número e, talvez por isso, eram consideradas o padrão de uma coisa que parecia ter muita força e a que chamavam “normalidade”, simplesmente por ser a maioria!

A pouco e pouco também a nossa Pessoa ser começa a pulsar com menos força. Sente-se fechado em cada vez mais "caixinhas", com cada vez mais falta de oxigénio, cada vez menos energia e cada vez mais medo de se rebentar ao rebentá-las. Quando está em casa, é a "caixinha" do quarto, da sala, dentro da "caixa" do prédio; depois as "caixas" dos transportes, do carro, do autocarro. E as "caixas" do emprego?! São todas muito direitinhas e bem arrumadinhas umas a seguir às outras, das maiores mais em cima às mais pequenas em baixo!!!

Acreditam até que, no fim de tudo, os restos que ficam vão acabar dentro de um preto e sinistro… "caixão”!

E assim, de "caixa" em "caixinha", conseguindo ainda pulsar um pouco aqui, outro pouco ali, lá vai vivendo com o oxigénio que há, sem se dar conta de que está ela também a ficar cada vez menos redonda...

De tal forma fica prisioneiro que as caixinhas lhe parecem já só terem saída umas para as outras!

Às vezes, muito raramente, atreve-se a sair de uma delas. Fica sozinho entre o céu e a terra. Então, sente-se mais liberto e lembra-se como tudo no Universo é pulsátil, redondo e aberto! Sente uma enorme e confortante sensação de paz e felicidade! Mas é tão breve… Mal começava a respirar mais fundo, logo fica com medo de rebentar e volta de novo à protecção da caixinha mais à mão, bem cubicamente segura.

O pior é quando começa a perceber que até a sua própria cabeça já está a ficar quadrada e dividida em muitos compartimentos, de tal modo que, mesmo quando se vira para dentro dela, são também montes de caixinhas prefabricadas que encontra!

Lentamente começa a entristecer e a definhar, a ficar cada vez mais cúbica, mais cheio de arestas. A tal ponto que passa a ser olhada como desagradável e mesmo agressiva.

Até que um dia...

Uma bola bem redonda passa ao seu lado, a grande velocidade, qual cometa! O que lhe chama a atenção é a forte vibração e o brilho auri prateado do rasto que dela irradia e que ela sente, de imediato, ser algo de muito precioso que lhe falta, algo sem o qual nunca poderá ser inteira e feliz.

É muito forte a emoção desse encontro e o desejo de se apossar desse bem. Cresce cada vez mais a obsessão de que, ao reencontrá-la, poderá sentir-se para sempre como naqueles breves e raros momentos em que consegue estar fora de todas as "caixinhas", sozinho com o Universo Todo, bem redondo e aberto! Um desejo muito forte toma conta do seu coração que pulsa de novo mais acelerado.

O que a nossa Pessoa não sabe logo é que esse “outro”, é de alguma forma também uma parte esquecida de Si mesma, que precisa recuperar...

O seu coração ganha novo alento, o que a faz lembrar-se do Pulsar do Grande Coração que tão intimamente sentiu antes de nascer, pois essa foi a Origem do seu Ser.

Ainda receosa de rebentar, tenta encolher-se de novo; mas, para seu enorme espanto, não consegue "encaixar" em nenhuma "caixinha" – nem mesmo em nenhum "caixote" – aquela Grande Emoção Redonda que dela se apoderou.

Fica dividida. Hesita muito. Pensa: "e se eles têm razão? E se eu rebento? Se eu não consigo voltar a entrar nas caixinhas que me dão tanto conforto, segurança e protecção, e me parecem tão indispensáveis?”

Quanto mais cresce o medo, mais cresce a emoção e o desejo, a obsessão do reencontro com aquele brilho esférico e irradiante.

A luta dentro de si torna-se tão grande que se sente ficar sem forças, sem energia, vazia de poder, de tão dividida que está.

Todas as suas forças não são suficientes para resistir às dúvidas e aos medos… Começa a definhar e fica doente. Sente-se morrer…

“Assim não posso continuar!” Percebe que é a hora de escolher: ou pulsar de novo e, agora, vibrando toda inteira, buscando o encontroi e união com essa Força Maior que vislumbrara e não mais esquecera, voltando à Vida, ou escolher deixar de pulsar e só continuar sobrevivendo, recusando a Vida, morrendo de inacção até acabar fechada num qualquer cúbico “caixão”!

É então que no meio do escuro desespero, impotente e exausta, se abandona finalmente a esse Grande Poder. Pede ajuda e aguarda, confiante, paciente e submissa. Faz-se luz no seu interior e ela percebe que a Força do Todo, da Origem, deixara bem escondidinha dentro da sua Pessoa uma semente da Vida vibrante e pulsátil que, nenhuma "caixinha", nenhum medo, nenhuma "morte", nenhum "deve ser" poderia nunca fazer desaparecer!

E escolhe: pede à Força vibrante em si, a essa Presença Viva, que a ajude a voltar a viver, livre de “caixinhas”, de medos, de dúvidas, de culpas, de frustrações, de ilusões.

Vem então um vento de energia vital que levanta e leva para bem longe todas as tampas! Uma lufada fresca de oxigénio ajuda-a a respirar de novo com mais força. Sente-se melhor. Sente-se crescer... e, mesmo ainda com algum medo, ousa respirar mais fundo, absorver plenamente a emoção dessa entrega ao Amor Maior que a invade e parece tocar-lhe a alma moribunda, ressuscitando-a para a Vida!

Descobre que quanto mais se entrega, mais forte fica a semente de Vida no âmago do seu ser; até que a sente tão forte e tão poderosa que percebe que já não lhe faz mais falta a segurança de nenhuma "caixinha" pois d’Ela vem toda a guia e protecção, todo o Amor.

Agora, ela própria bem redonda e aberta, deixa-se explodir de vibração pulsante, liberta de todas as (auto) limitações. Confiante na entrega, já sem medos, passa de novo como que por um Alçapão ou "buraco negro" – ou seria uma Clarabóia?! Talvez ambos… – e irrompe num outro Universo da Grande Galáxia, do Grande Coração Pulsante, sua Origem: é um Novo Universo de Interioridade. Uma Nova Consciência, a Consciência da Alma vivificada pela Presença do Amor Maior que a ressuscita.

Afinal – descobre – bastou levantar um pouco a tampa, bastou não ter medo de se entregar, de aceitar sentir a vibração harmónica da vibração do Todo em cada "parte" do seu Ser.

Sente-se feliz. Sente-se finalmente um Ser Humano inteiro e livre!

Já não tem medo de pulsar; aliás, já não sente medo nem solidão porque descobriu que, para além do sofrimento das "mortes", dos "buracos negros", estão sempre novos renascimentos em deslumbrantes Mundos que vale a pena conhecer e onde vai sempre ficando mais inteiro, vai ganhando sempre em Consciência de Ser.

Até que fique verdadeiramente Vivo.

Não sente mais falta de oxigénio para respirar, nem a sensação de asfixiar ou a ânsia de faltarem acontecer ainda mais universos, o desejo de alguma outra parte de que precisa para se sentir completo... Todas as partes, sabe agora, são partes de Um mesmo Todo: o Unus Mundus.

Então, finalmente, abre os olhos.

Olha para si, olha à sua volta: durante uma fracção de segundo tudo lhe parece estar exactamente igual. Ilusão sua!

Deslumbrado, faz a última, a maior e a mais importante de todas as descobertas: tudo daí para a frente continuando por fora a parecer igual passa realmente a ser inteiramente diferente!

De repente como que por milagre tudo se harmoniza à sua volta como dentro de si: já não há dentro e fora mas uma única, luminosa e harmónica vibração.

E percebe: sendo a Harmonia uma só, a do Todo, o que é harmonioso para uma parte só pode ser harmonioso para todas. E o que é harmonioso para um de nós, só pode ser harmonioso para Todos Nós. E vice-versa... Pois tudo é Uma Coisa Só: o "Grande Coração” ou o “Amor Pulsante" que é o Todo que contém todos os universos, todas as energias, todas as vidas, pois é a própria Vida!

Julgar o contrário é mais uma ilusão das mentes arrumadas em “caixinhas”, separadas de Tudo e de Todos por muitas “paredes”. Separadas, sobretudo, de si mesmas pelo muro do dentro e do fora. Sempre desesperadas, carentes, à procura fora de si de algo que as complete e minore a sua solidão, a sua angústia.

Tinha levado todo esse tempo para reaprender que afinal o importante é aceitar vibrar, pulsar com a Vida ora expandindo, ora contraindo, ora dentro de si, ora fora de si.

Aprendera que o sentir do próprio ser interior é a única bússola para esta Viagem de Todos Nós, cuja direcção podemos aferir na bússola da “resposta” que recebemos da Vida. Sem medos, aceitando atravessar corajosamente as próprias experiências para aprender o que resulta ou não harmonioso com a própria Matriz de Ser, parte e Todo que É.

Desse modo, a pouco e pouco o Processo que é Vida se vai encarregando de afastar o dissonante e trazer o harmónico, servindo de Guia.

Tinha levado todo esse tempo para aprender. Mas valera a pena.

Aprendera que viver é, antes de mais e para além de tudo, vibração do Ser Interior sintonizado com a harmonia do Processo. Esse é o caminho para o Amor Supremo. Aí, onde já nem vibração existe mais como no centro do turbilhão, encontrou finalmente a Paz e sabe que a pulsação de todos os corações, a Força Suprema de todas as Vidas, tem Um Só Nome...


A Bela Adormecida

As palavras de Mãe Velha ressoam fundo em Todos Nós.

Como explica Guia Interna no final “Breve estória de um ser num Universoé uma alegoria da expansão multidimensional da consciência humana que irrompe para além da Bolha da Psique.

Sou Alma percebe quanto cresceram. Como a infância ficara para trás e, sem darem por isso se tinham desligado da sua Origem."



DESCOBRIR - ABRIR - ABRIL

Meu corpo mar país
sofrendo
como antes
dores felizes
dum parto transmutação.

Abril, meu Abril,
sangrado de rosas e cravos,
tão novo e só...

...só de dentro para fora
Abril aberto:
além do mundo descobrindo...
descoberto!

Meu regresso.
Meu vibrante Lá.
Canção caravela
vela livre
que em Abril abriu
no coração
novo Universo.

lisboa.
30 de Abril de 1991.

3º Prémio no Concurso de Literatura e Artes Plásticas sob o tema "Os Descobrimentos Portugueses" promovido pelo C.C. Fonte Nova, com o apoio da Comissão Nacional dos Descobrimentos Portugueses. Lisboa, 1991.

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Versão traduzida de http://www.reinodaconsciolandia.blogspot.com/

LUSOFONIA e IDENTIDADE

por
Carminda H. Proença (Janeiro 2009). Publicado na Revista NOVA ÁGUIA, nº3 (1º semestre de 2009)

Para José Marinho e Agostinho da Silva há uma saída possível para a “era do vazio” em que vivemos (1). Uma etapa fundamental desse caminho é claramente apontada no Manifesto do Movimento Internacional Lusófono, nº 9, onde podemos ler:
“9 - …. Embora visemos em última instância transformar a sociedade, a nação e o mundo, sabemos que isso só é possível a partir da nossa própria transformação individual e do seu alastramento contagiante a outras transformações individuais. A este nível, de ninguém dependemos senão de nós mesmos e portanto tudo é desde já possível.”
Pois é. Na actual urgência de transcenção a questão que se coloca aos portugueses é a de busca da sua identidade essencial. Creio mesmo que não só aos portugueses. Busca ineludível que começa em cada um de nós, seres humanos, e se estende aos grupos, aos povos, à própria humanidade.
Ninguém explorou tão bem as etapas desta busca enquanto processo psicológico que também é, como Edward Edinger (1922-1998) (2) desenvolvendo e completando o que Carl Jung (1875 -1961) designou por processo de individuação.
Eles nos ensinam que a consciência do “quem sou” é uma aquisição feita ao longo da nossa existência, individual e colectiva, condição de auto realização na descoberta dos nossos verdadeiros talentos, ou seja, da nossa criatividade única e essencial posta fraternamente ao serviço.
E é desse processo conducente à amorosa partilha fraterna de talentos e de bens, da alegria que ela gera que nos fala constantemente Agostinho da Silva, utilizando a expressão: cada um tem de cumprir-se.
Ele reafirma incontestavelmente a partilha fraterna dos talentos como a essência da alma portuguesa. Ao fazê-lo abre-nos caminhos para a consciencialização da nossa identidade enquanto povo lusófono e do nosso papel de cidadãos no mundo.
É também por aí que nos conduz à fidelidade ao culto português do Espírito Santo, o próprio Amor Fraterno Vivo ou, como gosto de lhe chamar, a Presença Viva do Amor Maior (3).
A busca de “Quem Somos” é um processo evolutivo com etapas que urge ir reconhecendo à medida que abrimos o caminho por dentro de nós mesmos.
Enquanto povo nascemos neste lugar privilegiado, qual face do grande continente. Nascemos ainda terra, mas logo mar imenso… Mimados pelo fecundo brilho do sol e impulsionados pelo sopro da brisa, desfraldamos velas, construímos embarcações e nelas transportamos corpos, desejos, sonhos, emoções, medos e coragens, saberes e crenças, almas e talentos, mundo fora.
No movimento, tantas vezes repetido, do ir cada vez mais longe e do voltar, semeamos pontes de trocas, de partilha de bens, de corpos e de afectos, de comunicação verbal, tornamo-nos verdadeiramente nos portadores de novos mundos ao mundo conhecido e vice versa.
Tal como individualmente somos levados a revisitar as caves menos conscientes do nosso ser sempre que surgem fases de mal estar, é igualmente necessário e importante revisitarmos enquanto povo, neste momento crítico, os séculos da história já vivida para profundamente sentirmos e relembrarmos ou descobrirmos a identidade colectiva que neles construímos e a que damos o nome de lusofonia.
A identidade colectiva expande a identidade individual de cada um de nós que por ela se torna maior…
Nas memórias do passado vivo fundaremos os alicerces de Ser, ao recuperarmos as forças aí bloqueadas, rescrevendo as nossas escolhas à luz do sonho e da vontade do presente.
A grande identidade que cada povo constrói revisitando traumas, reconhecendo os erros e mobilizando em cada época os seus talentos, é sem duvida um bem precioso pois toda a sua prosperidade, todo o seu bem estar, toda a alegria da sua alma dependerão do discernimento, da atenção e da fidelidade que escolha ter ao mais profundo e nobre do Si mesmo.
Muitos momentos dramáticos certamente existem na nossa história, individual e colectiva. Se a psique - emoções, memórias, impulsos vitais, inteligibilidade – permanece prisioneira dos traumas, dos medos, da raiva, da impotência, a alma fica desvitalizada pois a busca da psique centrada no ego é limitada à satisfação das necessidades mais básicas.
A alma portuguesa foi meio adormecida por inquisição e ditadura que, contrariando a sua natural abertura fraterna e livre, fomentou a denúncia, a intolerância, o oportunismo, a inveja que a cegaram e ocultam a Luz pela qual ela, saudosa, tanto anseia…
Todos sentimos a sua falta mas só alguns persistem na busca do que está encoberto pela neblina da psique… E quem procura sempre vai encontrando….
Para recebermos a luz do espírito é preciso acordar a alma; pois é ela que recebe e não a psique. Só a busca da alma a pode encontrar.
Os que já compreenderam por onde é o caminho podem partilhar a sua busca e a luz que vão descobrindo…
Escutemo-los com a maior atenção enquanto vamos fazendo o nosso próprio caminho.
A abertura da consciência ao reconhecimento da identidade enquanto povo é uma etapa iniludível.
Uma etapa em que pátria se torna mátria, se torna matriz construtiva do próprio ser de cada um. Nela a nossa alma individual se reconhece unida a muitas outras e assim se expande, maior, mais perto de se (re) conhecer e se realizar criativa e fraternamente fecunda. Num afectuoso abraço que não exclui nada nem ninguém, mas antes abarca toda a humanidade.
Para que tal aconteça, no entanto, ensinam-nos os mestres que é necessária essa permanente alternância não só entre o ir e o voltar, mas também entre a expansão no exterior de nós e o recolhimento no mais íntimo do nosso ser. Após todas as obras que longe e fora semeámos, umas melhores outras nem tanto, precisamos de recolhimento, de silêncio, daquela persistente atenção de dentro, para depurarmos, no cadinho do nosso íntimo sentir, as jóias dos tesouros que fomos recolhendo nas aventuras das nossas vidas. E no contraste com os erros e desvios, discernir. E no cadinho da emoção, alquimizar.
Enquanto povo chegou para nós essa hora.
No pós 25 de Abril recolhemos a casa. Conseguida alguma estabilidade de regime, urge agora procurar na memória da identidade colectiva desde sempre construída, as jóias do que de melhor somos e que tardamos em reencontrar.
Não há já ditadores, nem lideranças fortes e prolongadas. Agora somos nós, cada um, o povo desta nossa pátria/mátria. É connosco. Precisamos buscar com mais afinco, rebuscar nos baús os tesouros escondidos que acumulámos ao longo dos tempos e escutar os extremos do que somos: ouvir os melhores poetas e pensadores e também os menos cultos; os mais despojados de riquezas materiais e os mais bem sucedidos na acumulação de riqueza; os mais felizes e os mais infelizes; os mais descrentes e os místicos. Todos e cada um. É no jogo da alternância e dos extremos que nos tornaremos cônscios e capazes de fazer as melhores escolhas, as mais fraternas.
A alma portuguesa ainda dorme esquecida de quem é. Desatenta aos tesouros que juntámos em séculos de história, de busca, de expansão abrangente.

Felizmente, as sementes que semeámos indo longe dão frutos que estão à vista de todos e urge reconhecer. De Timor, do Brasil, de todas as lusofonias chegam vozes que chamam o mundo e devolvem ao mundo os novos mundos em que se tornaram. Exemplos de aceitação do diferente em fraterno convívio.
Esse som tem o condão de nos despertar e incendiar o coração da nossa alma lusa, nela ressurgindo a vontade de partilhar…
Saibamos escutá-l’O pois trata-se agora de acordar a alma para que de novo se abra à luz do espírito e assim se veja e se cumpra, pela presença lusa no mundo:

1- Da língua portuguesa, expressão do sentir mais profundo da Alma Humana na sua linhagem lusa.
2- Do olhar luso: Portugal, face do corpo europeu que na Ásia assenta as suas raízes, olhando o ocidente através do Atlântico que une norte e sul, com compreensão/aceitação do outro no mais profundo da encruzilhada da sua alma, acolhe, expande e partilha(-se) em união.
3- Da alma portuguesa, recolhida e orante, generosa e confiante, aberta e submissa ao Poder do Amor Maior, e não aos poderes menores.
4- Dos talentos lusos que todos reconhecem serem múltiplos, diversificados e criativos, que urge tornar fecundos em obras, em prol do bem comum.

(1) Renato Epifânio “Visões de Agostinho da Silva” Ed. Zéfiro, 2006.
(2) Edward F. Edinger “Ego e Arquétipo, Individuação e Função Religiosa da Psique”. Ed. Cultrix, São Paulo, 1972.
(3) Carminda H. Proença “Aventuras de Ego de Todos Nós no Misterioso Reino da Consciolândia”. Ed. Ecopy, 2008.
Dalila Pereira da Costa escreveu sobre o livro "Aventuras do Ego de Todos Nós .... ":

"............... E me alegro de vê-la continuando esse trabalho (de todos nós), o mais difícil: a busca do nosso vero eu, o que nos dará , ou permitirá, o encontro de nosso anjo.
Gostei que tivesse escolhido para esta transferência simbólica, uma casa: que agora nenhum significado possui para nossos contemporâneos. E que tivesse valorizado com suas "neblinas", a cave. Onde reside a "Mãe Velha", sabedoria de origem, e suprema. Ajudando o ser vero a sair de todos os sucessivos, frustrantes e ilusórios caminhos por si criados. Até à libertação anceada na luz, na identidade encontrada: "conhece-te a ti próprio" - lema supremo.
Terra e céu foram creados no primeiro dia. Assim também por nós têm de ser conhecidos.
.........................................
Dalila Pereira da Costa
Porto, 7 de Dezembro de 2008 "

Obras de Dalila Pereira da Costa:
A Força do Mundo (1972)
Espirituais Portugueses Fundação Lusíada
Encontro na Noite , Lello e Irmão 1973
Duas epopeias das Américas (1974)
Introdução à Saudade (1976)
A Nova Atlântida, Porto, Lello e Irmão, 1977
A Nau e o Graal (1978)
O Esoterismo de Fernando Pessoa, Porto, Lello e Irmão, 1978
Orpheu, Portugal e o Homem do Futuro, Porto, 1978,
A cidade e o rio (1982 )
Elegias da terra-mãe (1983)
Da Serpente à Imaculada (1984)
Místicos Portugueses do século XVI (Lello & Irmão, Porto, 1986)
Gil Vicente e a sua Época, Guimarães Editores, 1989
Os sonhos: porta de conhecimento (1991)
Hora de Prima, Lisboa, Fundação Lusíada, 1993
O novo argonauta (E a Ilha Firme) (1996)
Entre desengano e esperança: ensaios portugueses (1996)
D. Sebastião, El-Rei ungido: Rei eleito (1996)
Os instantes nas estações da vida (1999)
Dos mundos contíguos (1999)
Mensagens do Anjo da Aurora, Hugin Editores
Entre Desengano e Esperança, Lello Editores
As Margens Sacralizadas do Douro através dos Vários Cultos, Lello Editores, Porto, 2006

Sobre esta autora:
"Dalila Pereira da Costa e as Raízes Matriciais da Pátria", Lisboa, Fundação Lusíada, 1998
António Telmo (1) escreveu:

"Li maravilhado a sua carta ao Leonardo.
É muito bela, mas muito inteligente no modo como compreende a Adoração.
É muito inteligente, mas muito bela no modo como envolve a compreensão nas palavras que fazem ver.
Muito obrigado."
Estremoz 29 de Dezembro de 2008

(1) Professor e filósofo, tem-se dedicado a estudos de esoterismo, filosofia e tradição portuguesa ao longo da sua vida. É um dos continuadores do movimendo da «Filosofia Portuguesa» fundado por Álvaro Ribeiro.

Bibliografia:
Arte Poética
História Secreta de Portugal
Gramática Secreta da Língua Portuguesa
Desembarque dos Maniqueus na Ilha de Camões
Filosofia e Kabbalah
O Bateleur
O Horóscopo de Portugal, Contos.
---------------------------------------------------------------------
"Carta de Natália a Leonardo Coimbra" por Carminda H. Proença. Publicado na Revista NOVA ÁGUIA, nº3 (1º semestre de 2009)

A propósito de “A Verdade do Amor/Adoração-Cânticos de Amor”, António Telmo/Leonardo Coimbra. Editora Zéfiro, 2008

"Natália escreve a Leonardo (condoída pela tristeza em que ele ficou com a partida dela para o Brasil).

Meu muito querido e amado amigo
Eu não sou senão o teu amor impossível. Aproximo-me de ti, meu amado, para logo me afastar e nesse vai e vem que nunca acaba te trago comigo e em mim, para sempre te devolver a ti mesmo…
As tuas palavras doces e apaixonadas têm o condão de reacender as brasas adormecidas nas caves do meu ser em labaredas iluminantes!
A tua Alma enfeita-me de mil harmonias e procura então em mim a perfeição que busca de si mesma.
Um dia descobrirás que quando me procuras o que de mais real encontras é o que existe no meio de nós dois…
Depois desse dia não mais precisarás de me ver com os olhos do corpo nem sequer de me tocar pois jorrará de ti mesmo tudo o que agora em mim desesperadamente e apaixonadamente procuras!
Mas… meu amor, nesse próprio instante, nunca como antes eu estarei tão perto e tão amante!
E muito mais do que antes, meu amado, será estreito o nosso abraço. Tão estreito quanto a união no Amor Maior dessa outra Presença em que nos descobriremos!
Pois nada, ninguém, nem nós mesmos, tem poder para separar o que desde sempre é Um só.
A ti, meu amado amigo, volto de novo e de novo me afasto para que esta tua e minha busca assim se cumpram, até encontrarmos a Verdade d’Aquele a quem sempre procuramos, pois essa é “A Verdade do Amor”!
Descobriremos então nossos verdadeiros e mais íntimos talentos e nos tornaremos com eles criativos e férteis. Serei a tua eterna musa e tu serás o eterno trovador cujas palavras de amor incendeiam sem destruir, antes aquecem e iluminam a alma de quem as ouve...
Os frutos dessa obra fértil saciarão corpos e almas, prenhes que serão do próprio Amor Vivo!
Mesmo quando te pareça que me afasto de ti verás que dentro de ti mesmo continuarão os riachos frescos a correr e a águia a voar no alto dos montes verdejantes e floridos.
De dentro de ti jorrará a alegria dos mais belos cantos e sem perceberes quem te conduz dançarás todo inteiro em movimentos suaves…
Cantarás sem saber como nem o quê e a tua voz será nova e cristalina.
Pois o que dança e canta em ti é a tua Alma renascida, ressuscitada pelo Sopro do Amor!
O que dança e canta em nós, qual bailado de Alma, é o próprio Amor Vivo, meu amor, meu amado Amigo, meu eterno companheiro de Caminho….

Por ora, é neste vai e vem feito de mágoas e alegrias que o impulso da busca se renova e o eixo interno de ser se constrói, consciente.
Quando te despedires da tua amada no cais das ilusões, milagre dos milagres de um novo Amor, descobri-la-ás com o outro olhar, vê-la-ás despida de trajes enganadores e efémeros, brilhante de luz:
- Minha senhora de luz! – exclamarás, prostrando-te em “Adoração”. - De ti recebo o fruto que em ti gerei e agora se me revela como “A Verdade do Amor”. Dele comungo e a Ele me entrego totalmente. A Ti reconheço como todas as mulheres que amei, amo e amarei, pois sei agora que nelas é este Amor quem procuro.
Mulher de todas as Mulheres, Senhora de Luz, perante Ti me ajoelho, Admirável, que tal Fruto me ofereces.
A Ele me rendo sem restrições nem medos, todo me submeto na esperança de que por Ti n’Ele possa renascer mais Vivo…
Ao meu lado estará a minha eterna musa que comigo e em mim em frutos de Bem se desmultiplicará pela Tua Graça!
Lembro agora que, milagre dos milagres, foste Tu Amor que até mim a trouxeste e ma deste a conhecer. E eu, cegado ainda pelos olhos do corpo, não conseguia nela encontrar o que afinal em mim mesmo desde sempre pressenti…

Longo caminho percorremos juntos, meu amado amigo, até podermos olhar-nos com os olhos da alma, sentirmos com os seus sentidos e nela nos tornarmos férteis, fiéis que somos do Amor que entre nós vive.
Ao seres capaz de aceitar-te imperfeito que és, e me aceitares imperfeita que sou, o teu olhar se estenderá mais Além e mais Alto... Reconhecerás que é no que une as nossas almas, que habita Aquele que as pode saciar...
Então, qualquer que seja o nome que lhe dês, terás encontrado O que desde sempre procuras.
Agora, que ao vermo-nos vemos, sabemos finalmente que foi Ele que desde sempre nos guiou um para o outro do mais fundo de nós mesmos, onde habita.
Partindo pedra por pedra dos nossos ossos para esculpir-nos de novo. Rasgando veredas no deserto ressequido dos nossos corpos, deixando-os em carne viva manchada de sangue rubro!
Até que, pelo Sopro da Vida, leves e alegres rejubilemos eternamente num bailado cristalino de alma nossa...
Natália"

Sesimbra, 1 de Dezembro de 2008

Feira de Solidariedade RASTRILLO 08








Associação de Lares Familiares para Crianças e Jovens Novo Futuro promoveu a feira anual de solidariedade no Centro de Congressos de Lisboa no final do mês de Novembro. Ocasião de partilha e convivio entre todos os que apoiam esta causa.

Inauguração da Livraria Café Nova Águia e sedes do MIL e da Associação Agostinho da Silva, no Second Life

Ver video da inauguração, no dia 10 de Dezembro de 2008, em http://www.vimeo.com/2656643

Correu muito bem excedendo todas as expectativas em participação, tendo-se prolongado numa verdadeira tertúlia por mais de uma hora num animado diálogo com contributos e perguntas muito interessantes. Uma experiência que mostra as potencialidades positivas da comunicação virtual no ambiente do second life.
Mais tertúlias se seguirão neste espaço lindíssimo e acolhedor da Livraria Café Nova Águia, para as quais estão todos convidados, claro. Vai um cházinho virtual à lareira em conversa vadia, ouvindo o Prof. Agostinho?

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Carta de ANTÓNIO TELMO

professor e filósofo, tem-se dedicado a estudos de esoterismo, filosofia e tradição portuguesa ao longo da sua vida. É um dos continuadores do movimendo da «Filosofia Portuguesa» fundado por Álvaro Ribeiro:

Foto: Renato Epifâneo, ANTÓNIO TELMO e Carminda Proença.

"Minha estimada Amiga
Só agora lhe escrevo, porque na verdade também só agora li o seu muito inteligente (e gracioso) livro Aventuras de Ego de Todos Nós no Misterioso Reino da Consciolândia”.
Só agora, nestes dois últimos dias, o li porque, quando estou escrevendo um livro (que finalmente acabei), perturba-me qualquer outra leitura que não seja a que leio no espelho do meu espírito.
Mas o seu livro é de uma tal graciosidade a tratar de tão sérios assuntos, aprende-se tanto com ele, lê-se com tanto prazer que tenho algum remorso de não o ter lido mais cedo. Havemos de nos encontrar de novo, talvez em Sesimbra em futuras reuniões culturais. Sesimbra é a minha segunda Terra. Sinto-me renovado quando a revisito"
O livro que António Telmo estava a escrever é "A Verdade do Amor", sobre a vida e obra de Leonardo Coimbra que foi apresentado em Sesimbra em 15 de Novembro de 2008.

V Feira do Livro na Fortaleza de Santiago em Sesimbra

Câmara Municipal de Sesimbra :: Eventos - 20080810_feira_livro Encontro com Carminda Proença no dia 10 de Agosto a partir das 21,30h

Maria Flávia de Monsaraz

" Este seu Livro "de todos nós" há muito já tardava em chegar...
É sempre uma grande alegria e penso que até os próprios anjos se regozijam, quando alguém assume exprimir a Verdade profunda da sua Alma!
Congratulo-me consigo nesta jornada fraterna de Auto-Conhecimento pelos Ciclos da Vida!
Um grande Abraço
"Na União das Almas pela Luz da Consciência"
Maria Flávia de Monsaraz "

Agostinho da Silva e Sesimbra, onde foi escrito este livro

Diz António Quadros que Agostinho da Silva "visiona a Humanidade em marcha para o reino da fraternidade universal e do amor, para o advento de uma sociedade verdadeiramente humana...", "... do Espírito da Verdade, o qual garantirá a expressão e o livre desenvolvimento de todos os valores, a justiça, a liberdade, a paz."
Agostinho da Silva teve a ideia de fazer em Sesimbra um género de universidade aberta ou centro de estudos sesimbrenses, onde "conversas" substituiriam as "lições", e que seriam dadas ao ar livre e em lugares emblemáticos do concelho: Fortaleza de Santiago, Castelo, Lagoa, Cabo Espichel, etc.

Num breve ensaio dedicado a Sesimbra, "Projecto", que se manteve inédito até ser publicado em 2004 na revista "Sesimbra Acontece", Agostinho da Silva escreveu: "Vai, pois, o meu discurso, não àquele Portugal, e só esse vale a pena considerar, que inclui Corumbá na fronteira da Bolívia e Macau na fronteira da China, Lourenço Marques na fronteira da segregação e Chaves naquela fronteira que traçaram políticos esquecendo-se do preceito de que não separem os homens o que Deus juntou, mas ao Portugal que se concentra em Sesimbra, que em Sesimbra tem seu perfeito resumo com litoral de alcantil e praia, com seu castelo e seu porto, suas encostas e seus plainos, seus ocres e seus verdes, seu arreigamento no concreto e sua pronta partida para as nuvens, e que, dentro de Sesimbra, é ainda rijo núcleo em meus amigos de pesca ou pensamento, de mar ou alto, esses tais grandes em que o entusiasmo significa estar calmo e o cepticismo quer dizer, etimologicamente, não se cansar da busca."...."para lhes dizer que em Sesimbra devem surgir os primeiros núcleos em que o poder de criação que está oculto em Portugal desde o século XV desperte, ganhe forças e ajude a tirar Europa e América dos becos em que se meteram, os de se julgarem superiores, e ajudar a tirar pretos, amarelos e vermelhos dos outros becos, os de se julgarem inferores, em que a ciência volte a ser humana e de todos, como nas caravelas o foi; para lhes dizer que tem Sesimbra de pensar em que nunca mais portugueses deixem a sua terra, a não ser por franciscanamente o quererem, e que, fazendo-o, não apareçam em Paris ou Los Angeles como escravos que deles fazem os homens, mas com a fidalguia que Deus lhes deu ao nascerem. Que Sesimbra e os Amigos acordem e aprendam com quem vem e tem obrigação de ensinar o muito que ainda têm, temos de aprender; que despertem e insuflem na sensatez do mundo a loucura que lhe falta e exorcismem de vez as múmias da prudência, da sabedoria linfática e do deixa estar como está para ver como fica; e que ressuscitados eles próprios, passem a fazer de todo o emigrante um missionário daquela missão de tornar fraterno o mundo que Portugal não cumpriu outrora, peado como se encontrou por uma Igreja que só o Vaticano II passou a ver como história; por um sistema económico que só o socialismo liberal poderá mitigar e só a automação lançará também aos armazéns do passado; por um sistema político, o dos Césares de Roma, que só verdadeiramente poderá desaparecer do mundo quando renunciar cada homem a ser ele próprio, em sonho ou realidade, dentro de sua casa ou de sua nação, para seu empregado ou para seu cão, César pior que o de Roma."


A estória começa assim...

Extracto do CAPÍTULO I

Ego de Todos Nós habita o rés-do-chão do Edifíciodeser mais próximo da Escolinha da Vida, onde frequenta o ensino básico.

O país onde vive esta família dos Todos Nós é um “país civilizado” - como gostam de pensar os seus habitantes - pois Acaminhodeser é a mais antiga e nobre região do grande Reino da Consciolândia.

Agora que herdou de seus pais este Edifíciodeser, Ego de Todos Nós recorda saudosamente a feliz infância, mimado pela mãe Id que sempre o aconchegava no seu colinho fofo, desculpando as suas diabruras junto do pai Super mais exigente e ríspido e que lhe parecia muiiiiiiiiito alto sempre que olhava para cima, procurando encontrar aquele pouco de infinita doçura que só ele sabia descobrir no mais fundo do seu olhar…

Sempre achara que nunca conseguiria passar sem os cuidados da sua mãe nem sem a superior protecção que, temeroso, não deixava de sentir com a presença de seu pai.

E agora está sozinho, responsável por si próprio e, ainda por cima, com todo um condomínio às costas!!!