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abril 07, 2013

Primavera em Sesimbra


"O lugar onde se não morre" António Telmo


De ti meu Sol
caem pérolas líquidas
sobre minha terra sequiosa

Teu beijo
acaricia a minha testa
Teu fogo
enche o meu coração

Sereno e doce abandono
abre o meu corpo
em amorosa entrega

E viva sou
por ti eternamente fecundada
em ti eternamente renascida.

Sesimbra, 4 de Abril 2013
Carminda H. Proença

março 26, 2013

 Anjo de Portugal


Almas velhas clamam:
- Luz do Espírito, Presença Viva, vem!
Acorda os corações.
Ilumina os caminhos.
Incendeia as vontades.

Alma Lusa, olha e vê:
- O Anjo de Portugal está aqui.
É chegada a hora do renascer no Amor Maior. 


Sesimbra, 26 de Março de 2013, 2h
Carminda Proença 


março 19, 2013

A Baía de Sesimbra e a Alma Lusa

Artigo publicado no nº 11 da revista NOVA ÁGUIA-Revista de Cultura para o séc XXI e cujo tema é O Mar e a Lusofonia, "da minha língua vê-se o mar" :


Há locais onde as almas sensíveis reconhecem uma clara vibração que as eleva em asas fortes de beleza e harmonia. A zona do Parque Natural da Serra da Arrábida que se prolonga de Setúbal ao Cabo Espichel é, sem dúvida, uma delas.
Vindo da Serra, a baía de Sesimbra revela-se ao viajante como a contraparte feminina das escarpadas arribas sobre as águas da Arrábida. Útero de areia dourada e quente, ela acolhe a acariciadora ondulação vinda de longe num aconchego côncavo, onde o fogo do Sol e o brilho da Lua espelham sua eterna dança, promessa de harmoniosa união, ritmada pelo sopro do vento nas velas dos moinhos do pão que se avistam no alto do monte.
No centro em baixo junto ao mar, a Fortaleza e em cima o Castelo com altaneira Torre e Templo interno, qual eixo piramidal identitário e protetor, triangulado pelo restante da escarpa da Arrábida a nascente e pelo fértil Porto de Pesca a poente.
É por tudo isto que a Luz da baía é pura magia nos cambiantes de cores que mudam a cada instante do dia ou da noite e sempre nos encantam, remetendo a lusa alma contemplativa para essa amorosidade íntima da Alegria de simplesmente existir, de ser una com a Presença do Amor Vivo que pressente na criação e emanação de tamanha beleza.
Entrando a poente pelo mar dentro, segue-se a esta pausa que nutre e sossega o íntimo, o Cabo Espichel e seu peregrino Santuário Mariano distribuidor de Graças, lembrando que há mais caminho a descobrir na longura de um além envolto na bruma do que ainda não sabemos mas podemos pressentir em locais como este.

Sesimbra, 9h do dia 29 de Setembro de 2012, dia dos Arcanjos São Miguel, São Rafael e São Gabriel
Carminda H. Proença







setembro 28, 2012

Um Fio de Meada


Num colóquio sobre Sincronicidade e Carl Jung na Faculdade de Letras em Lisboa, organizado pela ALUBRAT (Associação Luso Brasileira de Transpessoal) encontrei-me na mesa dos palestrantes entre Dalila Pereira da Costa e Carlos H. C. Silva. Ambos me tocaram pela presença e pelas palavras, também as que me dirigiram pela minha intervenção,  encorajadoras que foram na confirmação do caminho.
A leitura de obras da Dalila P. da Costa  foi para mim muito inspiradora, em especial pela forma como transmite a abertura e o deslumbre na união com o Amor Maior.
Mais tarde, no meu encontro com a Filosofia Portuguesa que se deu em Sesimbra através do grupo de amigos de Agostinho da Silva, conheci Paulo Borges, António Telmo e foi então que  retomei o contacto com Dalila. Dos três recebi inspiração, encorajamento e apreciação quando me aventurei no Reino da Consciolândia para escrever As Aventuras de Ego de Todos Nós.
Com profundo respeito e gratidão dedico a Dalila Pereira da Costa, Mulher fecunda em Graças, na saudade de uma partida que O não É, o poema Mulher Mátria e um Sonho Luz tido na madrugada da

junho 09, 2011

O R A Ç Ã O


Então a única coisa que eu tenho que fazer é oferecer-me à Tua Graça / Merçê / Vontade, como um elo que n’Ela me descubro, de uma imensa Realidade transbordante de Amor?

E, pela Tua Graça, crescer/expandir-me na

maio 10, 2011

ENFRENTAMOS O ADAMASTOR !

Um punhado de homens numa minúscula caravela…
Ambiciosos? Bravos? Sonhadores? Um pouco disso tudo.
E conseguimos. Fomos mais além e sobrevivemos. Fizemos erros. Acrescentámos bem ao mundo. Descarrilámos. Aprendemos um pouco mais. Não tudo o que precisamos ainda, hélas!
Aqui e agora a lição do Adamastor é a Dona Branca do capital global operando a

abril 14, 2011

Consciência separativa versus Consciência unitiva

Artigo publicado na revista Cadernos de Filosofia Extravagante, nº 5 - Março de 2015

  A passagem da consciência separativa para a consciência unitiva sempre foi um importante desafio evolutivo da humanidade e parece agora mais do que nunca estar a generalizar-se de forma muito rápida.
  Ao longo da existência humana esse progresso, essa passagem, essa abertura da consciência à realidade una da criação foi sempre sublinhada por aqueles que eram reconhecidos como seres de excepção, iluminados, santos, mestres, gurus.
  Neste espaço tempo particular que é o planeta Terra no conjunto do universo, neste aqui agora da caminhada colectiva da humanidade, essa nova expansão da consciência - em direcção ao ponto ómega, como lhe chamou Teillard de Chardin - aparece cada vez mais evidente pela

Carta Aberta de Uma Mulher Portuguesa

  Mais do que nunca como agora a humanidade está a tomar consciência de que ou se une fraternamente na essência da sua verdadeira condição de irmandade ou caminhará para a destruição.
É uma escolha urgente e abrangente de cada pessoa, cada grupo, cada nação, cada continente, Todos Nós. É a maré cada vez mais visível deste Agora Humano e quem contra ela resistir será levado nas águas deste global tsunami evolutivo.
Não há mais lugar para poderes ao serviço de uns em detrimento de outros. O desafio colectivo agora é

dezembro 05, 2010

O Desafio do Agora

A evolução não pára.
Cada Agora no Tempo e no Espaço traz à consciência humana um novo desafio. De crescimento. De expansão. De ascensão da sombra da não memória para a iluminação da consciência do ser. De transmutação da densidade que acumulámos na densificação progressiva do processo evolutivo, a caminho de uma nova transparência de luz cristalina.
É um trabalho alquímico do sentir da matéria para o sentir da energia, feito através

julho 12, 2009

A Baía de Sesimbra e a Pedra Alta




Fotos e poema: Carminda H. Proença



“P E D R A    A L T A” (1)


Na praia
sentada na Pedra Alta
perguntei ao meu corpo:

"o que é que em mim é Terra?"
...Senti meu peso
na dureza da rocha fria
e minha própria solidez
ao tocá-la...

"O que é que em mim é Água?"
O barulho exaltado
duma emoção ondulada
a quietude tranquila
dum silencioso marulhar,
no interior de mim senti...

"O que é que em mim é Ar?"
Por cima da minha cabeça
vi meu pensamento partir,
turbilhar...
Senti na brisa leve e fresca
longínquas mensagens
acariciando minha pele
em íntimo diálogo...

Finalmente perguntei
ao meu corpo
(ansiosa por senti-lo):

"O que é que em mim é Fogo?"
Um suave incêndio
de pronto flamejou
e ao calor do sol
numa tocha ardente
toda me tornei...

"De onde vem tanta força?
Tanto poder?" Perguntei.

Por trás das pálpebras cerradas
tudo, de repente, se ilumina!
E do centro de mim
-cadinho alquímico-
é meu coração
quem responde...
"Da substância prima
do solvente Universal
do Caos que tudo cria...
...o Amor..."

(1) Poema recebido em 21 de Julho de 1993 sentada numa rocha da Praia de Sesimbra em dia de Sol quente, rocha que mais tarde soube ser chamada de “Pedra Alta” por nunca ser coberta de areia e onde se diz ter aparecido uma estátua do Senhor Jesus das Chagas, atual padroeiro de Sesimbra.


Eis a lenda (do blog  http://btrp.blogs.sapo.pt/2614.html):

"Senhor Das Chagas:

No séc. XVI houve uma revolta contra a igreja católica. Nessa altura a rainha mandou encaixotar todas as imagens que estavam nas igrejas e deitá-las ao mar.
Arrastados pelas correntes os caixotes foram levados mar fora e foram ter aos sítios mais diversos. Um deles veio ter à praia de Sesimbra.
Estavam alguns pescadores à beira mar quando viram aquele caixote a boiar junto à pedra que fica do lado nascente da fortaleza.
Trouxeram-no para a praia, abriram-no e viram uma imagem de Jesus Cristo e Ficaram muito admirados sem saberem o que fazer com ela.
Pensaram um pouco e trouxeram-no para o terreiro da Misericórdia, onde hoje em dia é o jardim, mas não tinham sítio onde o colocar. A imagem não ia ficar no chão, nem à chuva nem ao vento, por isso resolveram levantar uma tenda e fingir que aquilo era uma pequena capela, pois um dia far-se-ia uma a sério.
Todos repararam que faltava um braço à imagem, mas também sabiam que no caixote não estava. E a imagem continuou assim na pequena capela improvisada onde toda a gente ia venerá-la. Ora era costume, e ainda hoje há quem o faça, ir à praia buscar lenha para levarem para a lareira. Naquele dia, uma velhinha apanhava uns pequenos troncos na praia. Ao chegar a casa colocou os troncos no braseiro e sentou-se ali ao pé para se aquecer.
Começou a reparar que toda a madeira ardia menos aquele tronco mais grosso. A ele nem o lume chegava perto.
Intrigada pegou nele e mirou-o com atenção. Viu, então, que aquele pedaço de madeira tinha a forma de um braço.
Correu até à capela, mostrou-o ao padre e concluíram que aquele tronco especial era realmente o braço da imagem do Senhor Jesus.
Todos gritaram “milagre”, prometeram fazer todos os anos uma festa em honra do Senhor e mandaram edificar a capela da Misericórdia onde fizeram um altar para colocar a imagem do Senhor Jesus das Chagas
Todos os anos no dia 4 de Maio faz-se uma procissão que atravessa as ruas da vila de Sesimbra e que no largo da Marinha abençoa o mar para que este nunca falte com o peixe que era, até há poucos ano, o principal sustento das gentes de Sesimbra.»

janeiro 14, 2009

LUSOFONIA e IDENTIDADE

por
Carminda H. Proença (Janeiro 2009). Publicado na Revista NOVA ÁGUIA, nº3 (1º semestre de 2009)

Para José Marinho e Agostinho da Silva há uma saída possível para a “era do vazio” em que vivemos (1). Uma etapa fundamental desse caminho é claramente apontada no Manifesto do Movimento Internacional Lusófono, nº 9, onde podemos ler:
“9 - …. Embora visemos em última instância transformar a sociedade, a nação e o mundo, sabemos que isso só é possível a partir da nossa própria transformação individual e do seu alastramento contagiante a outras transformações individuais. A este nível, de ninguém dependemos senão de nós mesmos e portanto tudo é desde já possível.”
Pois é. Na actual urgência de transcenção a questão que se coloca aos portugueses é a de busca da sua identidade essencial. Creio mesmo que

dezembro 30, 2008

"Carta de Natália a Leonardo Coimbra" por Carminda H. Proença

publicada na Revista NOVA ÁGUIA, nº3 (1º semestre de 2009)

Escrita a  propósito de “A Verdade do Amor/Adoração-Cânticos de Amor”, António Telmo/Leonardo Coimbra. Editora Zéfiro, 2008

Ver o comentario de Antonio Telmo

"Natália escreve a Leonardo (condoída pela tristeza em que ele ficou com a partida dela para o Brasil).

Meu muito querido e amado amigo
Eu não sou senão o teu amor impossível. Aproximo-me de ti, meu amado, para logo me afastar e nesse vai e vem que nunca acaba te trago comigo e em mim, para sempre te devolver a ti mesmo…
As tuas palavras doces e apaixonadas têm o condão de reacender as brasas adormecidas nas caves do meu ser em labaredas iluminantes!
A tua Alma enfeita-me de mil harmonias e procura então em mim a perfeição que busca de si mesma.
Um dia descobrirás que quando me procuras o que de mais real encontras é o que existe no meio de nós dois…
Depois desse dia não mais precisarás de me ver com os olhos do corpo nem sequer de me tocar pois jorrará de ti mesmo tudo o que agora em mim desesperadamente e apaixonadamente procuras!
Mas… meu amor, nesse próprio instante, nunca como antes eu estarei tão perto e tão amante!
E muito mais do que antes, meu amado, será estreito o nosso abraço. Tão estreito quanto a união no Amor Maior dessa outra Presença em que nos descobriremos!
Pois nada, ninguém, nem nós mesmos, tem poder para separar o que desde sempre é Um só.
A ti, meu amado amigo, volto de novo e de novo me afasto para que esta tua e minha busca assim se cumpram, até encontrarmos a Verdade d’Aquele a quem sempre procuramos, pois essa é “A Verdade do Amor”!
Descobriremos então nossos verdadeiros e mais íntimos talentos e nos tornaremos com eles criativos e férteis. Serei a tua eterna musa e tu serás o eterno trovador cujas palavras de amor incendeiam sem destruir, antes aquecem e iluminam a alma de quem as ouve...
Os frutos dessa obra fértil saciarão corpos e almas, prenhes que serão do próprio Amor Vivo!
Mesmo quando te pareça que me afasto de ti verás que dentro de ti mesmo continuarão os riachos frescos a correr e a águia a voar no alto dos montes verdejantes e floridos.
De dentro de ti jorrará a alegria dos mais belos cantos e sem perceberes quem te conduz dançarás todo inteiro em movimentos suaves…
Cantarás sem saber como nem o quê e a tua voz será nova e cristalina.
Pois o que dança e canta em ti é a tua Alma renascida, ressuscitada pelo Sopro do Amor!
O que dança e canta em nós, qual bailado de Alma, é o próprio Amor Vivo, meu amor, meu amado Amigo, meu eterno companheiro de Caminho….

Por ora, é neste vai e vem feito de mágoas e alegrias que o impulso da busca se renova e o eixo interno de ser se constrói, consciente.
Quando te despedires da tua amada no cais das ilusões, milagre dos milagres de um novo Amor, descobri-la-ás com o outro olhar, vê-la-ás despida de trajes enganadores e efémeros, brilhante de luz:
- Minha senhora de luz! – exclamarás, prostrando-te em “Adoração”. - De ti recebo o fruto que em ti gerei e agora se me revela como “A Verdade do Amor”. Dele comungo e a Ele me entrego totalmente. A Ti reconheço como todas as mulheres que amei, amo e amarei, pois sei agora que nelas é este Amor quem procuro.
Mulher de todas as Mulheres, Senhora de Luz, perante Ti me ajoelho, Admirável, que tal Fruto me ofereces.
A Ele me rendo sem restrições nem medos, todo me submeto na esperança de que por Ti n’Ele possa renascer mais Vivo…
Ao meu lado estará a minha eterna musa que comigo e em mim em frutos de Bem se desmultiplicará pela Tua Graça!
Lembro agora que, milagre dos milagres, foste Tu Amor que até mim a trouxeste e ma deste a conhecer. E eu, cegado ainda pelos olhos do corpo, não conseguia nela encontrar o que afinal em mim mesmo desde sempre pressenti…

Longo caminho percorremos juntos, meu amado amigo, até podermos olhar-nos com os olhos da alma, sentirmos com os seus sentidos e nela nos tornarmos férteis, fiéis que somos do Amor que entre nós vive.
Ao seres capaz de aceitar-te imperfeito que és, e me aceitares imperfeita que sou, o teu olhar se estenderá mais Além e mais Alto... Reconhecerás que é no que une as nossas almas, que habita Aquele que as pode saciar...
Então, qualquer que seja o nome que lhe dês, terás encontrado O que desde sempre procuras.
Agora, que ao vermo-nos vemos, sabemos finalmente que foi Ele que desde sempre nos guiou um para o outro do mais fundo de nós mesmos, onde habita.
Partindo pedra por pedra dos nossos ossos para esculpir-nos de novo. Rasgando veredas no deserto ressequido dos nossos corpos, deixando-os em carne viva manchada de sangue rubro!
Até que, pelo Sopro da Vida, leves e alegres rejubilemos eternamente num bailado cristalino de alma nossa...
Natália"

Sesimbra, 1 de Dezembro de 2008